O Novo Mapa da Droga
Pela primeira vez o Peru, país vizinho ao Brasil, assume o posto de maior produtor de folhas de coca do planeta. Vamos mostrar uma viagem que começa nas grandes plantações na América do Sul e que termina na miséria das vítimas do tráfico nos morros cariocas e favelas do Brasil, em geral. O dia a dia dos "desplazados", agricultores que foram expulsos de suas terras porque contrariaram ordens dos narcotraficantes. Uma escola onde muitas crianças viram os pais sendo assassinados. As táticas do tráfico para aliciar as mulas, os transportadores da droga. E ainda, o ritual de engolir cápsulas.+ Se preferir, assista ao vídeo
O mais rentável negócio clandestino: a cocaína. E seu novo mapa. A Colômbia e seus cartéis perdem o posto de maiores produtores de coca. O governo colombiano fecha o cerco contra o tráfico. E o Peru como o país que mais produz a folha. É o que mostram nossas investigações. É o que confirma novo relatório das nações unidas. Da violência dos grupos armados do Rio de Janeiro. A triste realidade das comunidades pobres que sobrevivem plantando a coca na Colômbia. Quem são os desplazados? Famílias expulsas de suas terras na guerra do tráfico. Uma escola onde todos perderam seus lares. Crianças que viram os pais sendo mortos. O Conexão Repórter investiga, viaja, navega águas perigosas, territórios inóspitos. E revela a facilidade com que a droga entra pela fronteira Brasil, Peru e Colômbia. Navegamos pelos rios da Amazônia acompanhados pelos narcotraficantes que contam tudo. Um mercado ilegal que movimenta trezentos bilhões de dólares por ano. Como agem as mulas. Aliciadas pelo tráfico, pessoas comuns se transformam em criminosas. Diante de nossas câmeras, o registro de um ritual. O ritual de engolir cápsulas de cocaína. Uma luta incansável da polícia contra um inimigo indomável. Um roteiro trágico que começa nas distantes plantações de coca na Colômbia e Bolívia e termina nas favelas cariocas.
Para conhecer de perto a realidade dos desplazados e a ligação deles com o tráfico de drogas no Brasil, viajamos milhares de quilômetros. Nossa primeira parada é em Bogotá, capital da Colômbia. Porém, mesmo com tanta eficiência o outro lado resiste. Algumas comunidades ainda sobrevivem do plantio das folhas. Foram 119 mil toneladas no ano passado colhido no Peru. Já a Colômbia colheu 39% das folhas. Cento e três mil toneladas. Assim que localizam o ponto, é feita a fumigação da área pelo governo Colombiano. Um veneno espalhado por pequenos aviões queima a plantação das folhas de coca. Seguimos para Tumaco. Queremos saber porque a região é considerada pela ONU, um local chave para os narcotraficantes. Percorremos 3 horas a fio, em um barco, até chegarmos a uma vila. Nas ruas, encontramos uma realidade muito familiar. Pobreza e miséria. Precisamos negociar com um grupo armado para iniciarmos nossa investigação. Eles são desconfiados de tudo, de todos. Escondem suas armas. São supostos integrantes das Farc. Momentos de tensão. Eles impedem nossa gravação. E autorizam apenas que façamos o registro da vila.
Em Letícia, na Colômbia com a fronteira do Brasil encontramos uma mulher conhecida na região pelo apelido de "Lora". Não quer usar seu nome, mas nos revela que é uma agenciadora de mulas. Apuramos que ela é quem escolhe os homens e mulheres que levam a cocaína até Manaus, no Brasil. Registramos com uma câmera escondida toda a conversa com a agenciadora. Nos apresentamos como um traficante que quer mandar um carregamento de cocaína para Manaus. Lora tenta ganhar nossa confiança. Ela sempre age assim. Somos convidados a entrar na casa da agenciadora que nas horas vagas é dona de casa e mãe de três filhos. O local é apertado. As crianças brincam e são testemunhas da nossa negociação com Lora. Negociação que acontece em cima da cama. A cama onde ela dorme com o marido. Vida particular e criminosa se misturam. Poucos minutos de conversa e a agenciadora começa a dar detalhes sobre o esquema. Fala de valores e quantidades da droga. Fechamos o negócio. Lora vai cobrar 20 mil reais para o transporte. Mais 20 mil para camuflar a cocaína e 4 mil para custear os gastos com as batatas fritas. Perguntamos quanto a mula leva na negociação. A agenciadora não revela.Em pequenas celas, esquecidos pela sociedade e pela indústria de drogas encontramos histórias que mostram de forma visceral a realidade das mulas. Duas mulheres. Uma brasileira, outra espanhola. Duas vidas marcadas para sempre. Anacleide, 28 anos, paraense, mãe solteira de 3 filhos. Maria Sonai de Castro Hernandes, espanhola, 43 anos, mãe de uma filha que tinha 17 anos quando foi presa. Inocentes que convivem com as consequências. Um drama de separação que a indústria do tráfico produz todos os dias mas sequer toma conhecime

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