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terça-feira, 18 de novembro de 2014



BRASIL VENCE  6 A O A 


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Luxemburgo

Treinador ficará na Gávea até, pelo menos, o fim do ano que vem

Vanderlei Luxemburgo - Sport x Flamengo, Campeonato Brasileiro (Foto: Antonio Carneiro/LANCE!Press)
O Flamengo anunciou por meio de uma mensagem no Twitter, no início da noite desta terça-feira, que assinou contrato de um ano com o técnico Vanderlei Luxemburgo. O comandante ficou aproximadamente seis meses sem ter um vínculo assinado com o Rubro-Negro, mas desta vez ficou acordado que ele permanece na Gávea até, pelo menos, dezembro do próximo ano.
Em nota, o clube afirmou que "foram mantidas e inalteradas todas as condições anteriormente acordadas e que já vinham sendo cumpridas pelas partes". Entretanto, segundo apuração do LANCE!Net, existe sim mudanças nas condições iniciais. O salário de Vanderlei Luxemburgo, que vinha recebendo como pessoa jurídica o salário de R$ 300 mil, passa a ser de R$ 500 mil.

Além disto, anteriormente, Vanderlei Luxemburgo tinha exigido para assinar o contrato premiação, 30 camisas oficiais por mês e 15 ingressos por jogo, além de carta branca para indicar os reforços e a contratação de pelo menos três jogadores de peso. Agora, as exigências em premiação, camisas, carta branca e reforços de peso foram mantidas, sendo amenizada a questão dos ingressos para jogos.

Disfunção erétil

Um em cada cinco homens faz uso inadequado de estimulante sexual em SP


Um em cada cinco homens na cidade de São Paulo faz uso inadequado de estimulante sexual. Segundo estudo feito pelo Centro de Referência em Saúde do Homem, unidade de atendimento voltada para o sexo masculino, o desejo de melhorar o desempenho sexual leva jovens de 20 a 35 anos a utilizarem medicamentos para disfunção erétil sem indicação de um especialista.
Mais de 300 homens atendidos mensalmente na unidade têm problemas sexuais e cerca de 20% desse total afirma já ter feito uso de estimulantes sexuais sem prescrição médica pelo menos uma vez. Geralmente, o que os motiva a se automedicar é a curiosidade, a vontade de aprimorar a “performance” sexual e o receio de falhar durante o ato sexual.
Entretanto, o efeito da medicação não é imediato nem causa grandes diferenças no desempenho sexual de pacientes já saudáveis. Como o remédio não torna o pênis ainda mais rígido após o consumo, não há alterações significativas no desempenho sexual.
Em contrapartida, os estimulantes sexuais podem causar dores de cabeça e musculares, diarreia, alergias, visão dupla e, em casos mais graves, até cegueira. Somente um especialista pode diagnosticar a necessidade de uso e o medicamento mais adequado para cada paciente, levando em consideração sua idade, histórico familiar e condição financeira.
ESQUIWZOFRENIA






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VIAGEM AO CORPO HUMANO

Dr. Drauzeo Varela
Video :Fantanstico rede Globo
Video Dr. Drauzeo varela

Autismo

Autismo

Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais:
* Inabilidade para interagir socialmente;
* Dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;
* Padrão de comportamento restritivo e repetitivo.
O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.
Os estudos iniciais consideravam o transtorno resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. A tendência atual é admitir a existência de múltiplas causas para o autismo, entre eles, fatores genéticos e biológicos.
Sintomas
O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias, mais os meninos do que as meninas. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas dificilmente são identificados precocemente. O mais comum é os sinais ficarem evidentes antes de a criança completar três anos. De acordo com o quadro clínico, eles podem ser divididos em 3 grupos:
1) ausência completa de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental;
2) o portador é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem comprometimento da compreensão;
3) domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite aos portadores levar vida próxima do normal.
Na adolescência e vida adulta, as manifestações do autismo dependem de como as pessoas conseguiram aprender as regras sociais e desenvolver comportamentos que favoreceram sua adaptação e auto-suficiência.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico do paciente e norteia-se pelos critérios estabelecidos por DSM–IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS).
Tratamento
Até o momento, autismo é um distúrbio crônico, mas que conta com esquemas de tratamento que devem ser introduzidos tão logo seja feito o diagnóstico e aplicados por equipe multidisciplinar.
Não existe tratamento padrão que possa ser utilizado. Cada paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades e deficiências. Alguns podem beneficiar-se com o uso de medicamentos, especialmente quando existem co-morbidades associadas.
Recomendações
* Ter em casa uma pessoa com formas graves de autismo pode representar um fator de desequilíbrio para toda a família. Por isso, todos os envolvidos precisam de atendimento e orientação especializados;
* É fundamental descobrir um meio ou técnica, não importam quais, que possibilitem estabelecer algum tipo de comunicação com o autista;
* Autistas têm dificuldade de lidar com mudanças, por menores que sejam; por isso é importante manter o seu mundo organizado e dentro da rotina;
* Apesar de a tendência atual ser a inclusão de alunos com deficiência em escolas regulares, as limitações que o distúrbio provoca devem ser respeitadas. Há casos em que o melhor é procurar uma instituição que ofereça atendimento mais individualizado;
* Autistas de bom rendimento podem apresentar desempenho em determinadas áreas do conhecimento com características de genialidade.
Transtorno

Diagnóstico de autismo demora muito no Brasil

Juliana Conte
autismo_1“Muitos pediatras ainda não conseguem perceber os sinais de alerta quando se trata de autismo. Às vezes, os pais relatam algum comportamento que consideram estranho na criança numa determinada faixa etária, como, por exemplo, o atraso para falar, se comunicar. Mas daí o médico diz: ‘Espera mais um pouco, é normal’. E com isso o diagnóstico demora e só é feito quando a criança tem cerca de quatro, cinco anos de idade.”  No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado hoje (2), Carla Gruber Gikovate, neurologista infantil pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), explica um pouco sobre esse distúrbio, mais comum no sexo masculino  – quatro homens para cada mulher – e que no Brasil ainda demora muito tempo para ser diagnosticado.
“Os profissionais de saúde deveriam receber um treinamento específico em relação ao distúrbio. Quando os pais levam as crianças ao pediatra para acompanhar o crescimento do bebê, ele já deveria ficar atento aos sinais e também às observações da mãe. Essa demora influencia posteriormente a evolução da criança”, completa a médica.
O autismo é definido por um conjunto de comportamentos que variam em grau e gravidade. Indivíduos com dificuldade de socialização, de comunicação, com certa tendência à repetição e a ser metódico podem apresentar autismo. A National Health Statistics Report, em seu último estudo, relata que nos Estados Unidos há uma criança afetada por alguma forma de autismo a cada 50. Já segundo a Cleveland Clinic, importante hospital e centro de pesquisa dos Estados Unidos, há uma criança com autismo para cada 88. O Brasil ainda não dispõe de estatísticas oficiais, mas a Lei Berenice Piana, sancionada recentemente e que garante que portadores do transtorno do espectro autista devem ser considerados deficientes para fins legais, também propõe a realização de um censo para saber o número de indivíduos autistas no país.
De acordo com a neurologista, as crianças que nascem com autismo já começam a demonstrar sinais aos nove meses. “Elas não mantêm  contato visual efetivo e não olham quando você chama. A partir dos 12 meses, por exemplo, elas também não apontam com o dedinho. No primeiro ano de vida, demonstram mais interesse nos objetos do que nas pessoas. Quando os pais fazem brincadeiras de esconder, sorrir, também não demonstram muita reação”, explica ela.
Não existe um exame para detectar o distúrbio, e seu diagnóstico é baseado no histórico do indivíduo. As causas, ainda de acordo com a especialista, são variadas e incluem fatores genéticos, infecções durante a gravidez da mãe e má-formação cerebral.
Em relação ao tratamento, também não há um modelo padrão, pois cada pessoa necessita de um  acompanhamento individual com profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Algumas precisam tomar medicamentos, especialmente quando há comorbidades associadas.
Embora exista preconceito em relação ao autismo, muitos dos portadores, de acordo com a médica, conseguem se desenvolver e ser incluídos na sociedade. Para isso, ela reforça que o apoio da família é de extrema importância. “Um estudo populacional americano demonstrou que 30% dos autistas com certo nível intelectual e tratamento precoce se tornam independentes, 30% se tornam parcialmente dependentes e 40% são dependentes”, diz Carla Gikovate

Cerebelo

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O cérebro humano controla praticamente todas as atividades do corpo: cada região é responsável por uma ou mais atividades. O cerebelo é responsável por 10% do volume total do encéfalo e contém cerca de metade dos neurônios do cérebro. Recebe impulsos de diversas partes do corpo e faz a conexão entre o tronco encefálico e o córtex cerebral.
Na divisão anatômica, o cerebelo se divide em três partes: hemisfério cerebelar direito, hemisfério cerebelar esquerdo e o vérmis, que liga as duas massas laterais.

Além de estabelecer o equilíbrio corporal, o cerebelo recebe o estímulo de músculos e tendões e tem a função de controlar as atividades motoras, mantendo o tônus muscular (estado semicontraído em que o músculo permanece para responder aos estímulos mais rapidamente). O cerebelo é essencial no desempenho dos movimentos voluntários e na aprendizagem motora, além de ter função essencial no tato, visão e audição.
Lesões que acometem  essa parte do cérebro – ocasionadas por falta de oxigenação, alcoolismo, entre outros – são dificilmente tratadas e revertidas e comprometem a movimentação (a precisão e rapidez dos movimentos deixam de ser eficientes), causando diminuição do tônus muscular, mudanças posturais, alteração da marcha, do equilíbrio, entre outras alterações.

Baço

baço

O baço é o maior órgão do sistema linfático (que ajuda na defesa do organismo) do corpo humano, tem forma oval e pesa cerca de 150 gramas. Situa-se na região superior esquerda do abdômen, à esquerda do estômago e acima do rim esquerdo. Tem duas faces, uma diafragmática, que se relaciona com o diafragma, e outra visceral, que se relaciona com o estômago, o cólon transverso e o rim esquerdo

Tem função imunológica e hematológica desempenhados por duas polpas, uma branca, formada por tecido linfoide e que produz e armazena os linfócitos (células de defesa do corpo), e outra vermelha, que destrói as hemácias defeituosas e idosas e armazena células de defesa, liberando-as na circulação quando necessário.
É um órgão frágil, bastante suscetível a rupturas.

Coração

coraçãoO coração é um órgão muscular oco, em forma de cone e relativamente pequeno: tem mais ou menos o tamanho de um punho fechado e pesa entre 250g e 300g nos adultos.
Apoia-se sobre o diafragma e se situa sob o esterno (osso do tórax), no interior do mediastino (linha média da cavidade torácica) e entre os dois pulmões. Tem três camadas: o endocárdio, camada lisa que fica no interior do órgão; o miocárdio, camada média do músculo cardíaco; e o pericárdio, membrana que envolve o coração.
O sangue venoso e o arterial são separados por uma membrana vertical, que divide o coração em dois lados: o direito, composto de um átrio e um ventrículo, e o esquerdo, composto de outro átrio e outro ventrículo. Os dois átrios são câmaras superiores que recebem o sangue venoso (desoxigenado); os dois ventrículos bombeiam o sangue arterial (oxigenado). A divisão horizontal é feita por válvulas atrioventriculares: a mitral, que divide o lado esquerdo em dois, e a tricúspide, que divide o lado direito.

A saída de cada ventrículo possui duas válvulas: a aórtica, que liga o órgão à aorta (principal artéria do sistema circulatório) e a do tronco pulmonar, que permite que o fluxo de sangue siga até os pulmões.
A veia cava superior, que recebe o fluxo vindo da cabeça e membros superiores, e a veia cava inferior, que traz o sangue do abdômen e dos membros inferiores funcionam como portas de entrada do sangue no coração.
Circulação
O sangue circula em apenas uma direção. O sangue arterial é oxigenado pelos pulmões e distribuído pelo coração para o corpo; o sangue venoso, rico em gás carbônico, retorna ao coração pela veia cava superior e pela veia cava inferior e chega ao átrio direito. O espaço do átrio é preenchido com sangue venoso, de onde é então enviado ao ventrículo direito. O ventrículo direito impulsiona o sangue aos pulmões como uma bomba.
A veias pulmonares então conduzem o sangue oxigenado de volta ao lado esquerdo do coração, onde primeiro chega ao átrio esquerdo e depois vai para o ventrículo esquerdo, de onde é bombeado para a artéria aorta.
A nutrição do órgão é feita pelas artérias coronárias, que se originam na aorta.
Os batimentos cardíacos são coordenados por sinais elétricos. Em uma pessoa saudável, o coração bate em media 70 a 80 vezes por minuto e bombeia cerca de 74 mil litros de sangue por dia

A cultura do estupro

Mariana Fusco Varellar
iStock_000014716501Small_wragg_destaque1Em 2013 houve 50.320 estupros registrados no Brasil, cerca de 25 casos para cada 100 mil habitantes. Os dados são do 8o Anuário Nacional de Segurança Pública, divulgados no último dia 11.
Pesquisa do Ministério da Justiça afirma que apenas 7% a 8% dos casos de estupro são denunciados no Brasil. Assim, apesar de os números registrados impressionarem, eles mostram algo ainda mais grave: a subnotificação do estupro.

Na Suécia, houve 63 casos de estupro para cada 100 mil habitantes em 2010, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). Mais casos que o Brasil, portanto.
Contudo, será que a Suécia, cujo índice de desenvolvimento é um dos mais altos do mundo, tem mais casos de estupro que o Brasil?
Não exatamente. O que ocorre é que o país escandinavo incentiva as mulheres a denunciar esse tipo de crime ao adotar, entre outras medidas, o registro de cada estupro como uma ocorrência. Assim, se uma mesma mulher for estuprada trinta vezes pelo marido, serão registradas trinta ocorrências e não apenas uma, como no Brasil.
Tanto o alto número de casos registrados quanto os subnotificados revelam uma triste realidade: o Brasil tolera e incentiva o estupro a ponto de podermos afirmar que o crime faz parte da nossa cultura.
Por meio da culpabilização da vítima, estimulamos que as mulheres estupradas se escondam e acabem protegendo seus algozes. Afinal, é comum elas ouvirem de policias e da própria família que estavam embriagadas, usavam roupas curtas e apertadas, que andavam sozinhas à noite ou não deixaram claro que não desejavam o ato sexual. A vítima, portanto, sente medo e vergonha de denunciar.
A sexualização da mulher como objeto é outro fator que estimula o alto número de casos. Desde crianças aprendemos que o corpo da mulher é um objeto que pode ser consumido como qualquer outro. O menino cresce acreditando nisso e, o pior, a menina também.
O estupro tornou-se, portanto, tão banal que passou a ser aceito e tolerado. Basta ver a pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgada no primeiro semestre deste ano e que revela, após correção dos dados, que 26% dos entrevistados acreditam que uma mulher usando roupa que revele o corpo merece ser atacada.
É preciso que fique claro: nenhuma mulher merece ser estuprada. Ela é dona do seu corpo e a única que pode dele dispor. E a culpa nunca é da vítima, independentemente da sua conduta. Esses são pressupostos básicos para que o crime de estupro deixe de ser parte da nossa cultura.

Legalização da maconha

Drauzio Varella
Em duas colunas anteriores, mostramos que os efeitos adversos da maconha não são poucos nem desprezíveis e que o componente psicoativo da planta pertence à classe dos canabinoides, substâncias dotadas de diversas propriedades medicinais.
Falamos das evidências de que fumar maconha pode causar dependência química – embora menos intensa do que a da nicotina, da cocaína ou dos benzodiazepínicos, que mulheres e homens de respeito tomam para dormir.
No final, dissemos que o inegável interesse medicinal dos canabinoides não é justificativa para a legalização da droga, já que a imensa maioria dos usuários o faz com finalidade recreativa. Acho que a maconha deve ser legalizada por outras razões. A principal delas é o fracasso retumbante da política de “guerra às drogas”.
De acordo com o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), realizado em 2012 pelo grupo do Dr. Ronaldo Laranjeira, da Unifesp, cerca de 7% dos brasileiros entre 18 e 59 anos já fumaram maconha. Descontados os menores de idade, seriam 7,8 milhões de pessoas. Perto de 3,4 milhões haviam usado no ano anterior.
Como se trata de droga ilegal, poderíamos considerá-los criminosos, portanto passíveis de prisão. Quantas cadeias seriam necessárias? Quem aceitaria ver o filho numa jaula superlotada, porque foi pego com um baseado?
Legalizar, entretanto, não é empreitada corriqueira, como atestam as experiências do Colorado, Washington, Holanda e Uruguai.

Quem ficaria encarregado da produção e comercialização, o Estado ou a iniciativa privada?
Fundaríamos a Maconhabrás e colocaríamos fora da lei as plantações particulares? Seriam autorizados cultivos para consumo pessoal? Há amparo jurídico para reprimir a produção doméstica de uma droga legal? Por acaso é crime plantar fumo no jardim ou destilar cachaça em casa para uso próprio?
Quantos pés cada um teria direito de cultivar? E aqueles que ultrapassassem a cota, seriam obrigados a incinerar o excesso ou iriam para a cadeia? Quem fiscalizaria de casa em casa?
A que preço a droga seria vendida? Se custar caro, o tráfico leva vantagem; se for barata, estimula o consumo. Como controlar a quantidade permitida para cada comprador?
E os pontos de venda? Farmácias como no Uruguai, coffee shops como na Holanda, lojas especializadas ou nossas padarias que já comercializam álcool e cigarros?
Se a iniciativa privada estiver envolvida em qualquer fase do processo, como impedir o marketing para aumentar as vendas? A experiência com o álcool e o fumo mostra que deixar drogas legais nas mãos de particulares resulta em milhões de dependentes.
São tantas as dificuldades, que fica muito mais fácil proibir.
Tudo bem, se as consequências não fossem tão nefastas. A que levou a famigerada política de guerra às drogas, senão à violência urbana, crime organizado, corrupção generalizada, marginalização dos mais pobres, cadeias abarrotadas e disseminação do consumo?
Legalizar não significa liberar geral. É possível criar leis e estabelecer regras que protejam os adolescentes, disciplinem o uso e permitam oferecer assistência aos interessados em livrar-se da dependência.
O dinheiro gasto na repressão seria mais útil em campanhas educativas  para explicar às crianças que drogas psicoativas fazem mal, prejudicam o aprendizado, isolam o usuário, tumultuam a vida familiar e  causam dependência química escravizadora.
Nos anos 1960, mais de 60% dos adultos brasileiros fumavam cigarro. Hoje, são 15% a 17%, números que não param de cair, porque estamos aprendendo a lidar com a dependência de nicotina, a esclarecer a população a respeito dos malefícios do fumo e a criar regras de convívio social com os fumantes.
Embora os efeitos adversos do tabagismo sejam mais trágicos do que os da maconha, algum cidadão de bom senso proporia colocarmos o cigarro na ilegalidade?
Manter a ilusão de que a questão da maconha será resolvida pela repressão policial, é fechar os olhos à realidade, é adotar a estratégia dos avestruzes.
É insensato insistirmos ad eternum num erro que traz consequências tão devastadoras, só por medo de cometer outros.

Nicotina, a porta de entrada

Drauzio Varella
Consideramos porta de entrada a droga que reduz o limiar para a adição a outros agentes.
Essa hipótese foi levantada, em 1975, por Denise Kandel, ao observar que jovens envolvidos com drogas psicoativas, costumam fazê-lo em estágios e sequências. Tipicamente, o abuso de tabaco e álcool precede o de maconha que, por sua vez, antecede o de cocaína e outras drogas ilícitas.
Um grande inquérito americano publicado em 2012 mostrou que entre os adultos de 18 a 34 anos que já haviam usado cocaína, 87,9% eram fumantes antes de experimentá-la; 5,7% começaram a consumir as duas drogas ao mesmo tempo; 3,5% usaram cocaína antes de ser fumantes e apenas 2,9% nunca fumaram cigarros.
Uma alternativa à hipótese da porta de entrada é a de que o uso repetitivo de uma droga psicoativa reflita determinadas características genéticas e comportamentais, que aumentam o risco individual de adição a outras drogas.

Embora os levantamentos epidemiológicos possam evidenciar a sequência em que diferentes drogas são usadas e especificar suas associações, são incapazes de identificar os fatores envolvidos na progressão de uma droga para outra e os mecanismos responsáveis por ela.
Estudos clássicos na área da psicologia demonstraram que a adição é uma forma de aprendizado e que as recaídas estão relacionadas com memórias persistentes das sensações de prazer obtidas com a droga.
Denise Kandel, o marido Eric Kandel (prêmio Nobel em 2000) e Amir Levine estudaram os efeitos da administração de nicotina e cocaína em ratos.
Ratos que recebiam nicotina na água de beber, não se tornavam mais ativos do que o grupo-controle tratado com água pura. Já os que recebiam cocaína, movimentavam-se por um tempo 58% maior.
Os que tomavam água contendo nicotina durante sete dias, para depois receber nicotina mais cocaína por mais quatro dias, ficavam 98% mais ativos.
A inversão dessa ordem (sete dias de cocaína seguidos de quatro dias de nicotina mais cocaína) não aumentava os níveis de atividade locomotora.
Um dos fatores de risco para recaídas entre usuários em abstinência é retornar aos locais em que habitualmente consumiam a droga. Descrita também em animais de laboratório, essa preferência condicionada por um local em particular está ligada aos circuitos cerebrais do sistema de recompensa.
Da mesma forma que no experimento anterior, ratos tratados durante sete dias com água contendo nicotina, seguidos de quatro dias de nicotina mais cocaína, permaneciam 78% a mais de tempo no canto da gaiola associado à administração de cocaína, do que aqueles do grupo-controle.
O casal de pesquisadores também estudou as moléculas envolvidas na plasticidade das sinapses entre os neurônios, numa área do cérebro (núcleo acumbens) encarregada de integrar os impulsos que trafegam pelos neurônios liberadores de dopamina e glutamato, mediadores das sensações de prazer e recompensa.
Uma única injeção de cocaína em ratos que haviam recebido nicotina por sete dias é suficiente para reduzir o limiar de estimulação dos neurônios que liberam dopamina e glutamato, potencializando a sensação de prazer por até três horas.
Como nos experimentos anteriores, a administração de apenas nicotina, apenas de cocaína por sete dias ou de cocaína durante sete dias seguidos por nicotina durante 24 horas, não produz esse resultado.
Os autores demonstraram a mesma redução do limiar de excitação de neurônios induzida pela nicotina em outra área cerebral, a amígdala (responsável por orquestrar as emoções), região crítica para a adição.
Essas observações, finalmente, descrevem as bases biológicas e os mecanismos moleculares relacionados com a sequência do consumo de drogas encontrada em seres humanos. Uma droga age nas sinapses de certos circuitos cerebrais criando condições para potencializar os efeitos da outra.
A hipótese da porta de entrada não exclui a das tendências genéticas e comportamentais que afetam o risco de adição, pelo contrário, ambas são complementares.
Fatores gerais, como os genes e o comportamento, explicam a tendência para o uso de drogas psicoativas, enquanto fatores específicos explicam por que certos jovens usam determinadas drogas e o fazem em sequências particulares