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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vendem-se Órgãos



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O registro de um mercado criminoso. Órgãos e tecidos humanos que valem muito dinheiro nas mãos de traficantes. Homens e mulheres que se arriscam na luta pela própria sobrevivência. Histórias de ameaças, medo. Você vai conhecer regiões onde um rim ou um fígado é negociado para matar a fome. Do outro histórias de esperança e o fim de uma luta de doze anos. Médicos que lutam contra o tempo para salvar vidas. O transplante de órgãos em pacientes à beira da morte.

A viagem. Em instantes, o imprevisto e um grave acidente. Na sala de cirurgia, a equipe médica tenta de tudo para salvar a vida de um homem, em vão. A morte cerebral é anunciada. O paciente declarou em vida, seu desejo de doar os órgãos. Os médicos trabalham com cuidado para retirar cada órgão. Em quatro horas, este coração precisa bater em outro organismo. Coração, fígado, dois rins. Ao todo, quatro vidas vão ser salvas. E isso não é tudo o que um corpo humano pode oferecer à medicina. Outras partes também podem ser doadas. Ossos, ligamentos, válvulas, a pele.

Em um dos maiores bancos de órgãos do mundo, nos estados unidos. O coração de uma mulher de vinte e seis anos seria transplantado em outra mulher, porém a cirurgia não correu conforme o esperado. O órgão não era compatível. Para a medicina, uma derrota. O coração não poderá salvar um doente, mas nem tudo está perdido.

Todos os anos, este banco de órgãos realiza cerca de 20 mil transplantes cardíacos. No mundo todo, 225 mil pessoas recebem anualmente um novo coração. Nas próximas décadas, esse número deve crescer ainda mais. Pesquisadores armazenam em temperatura de duzentos graus negativos, uma parte dos tecidos de seres humanos. O desafio é desenvolver tecidos a partir de células humanas. O projeto ainda está na fase inicial e promete revolucionar a medicina. Futuramente, o revestimento do coração poderá ser usado em outras partes do nosso corpo como o cérebro, por exemplo.
  
Remodelado, um osso da perna poderá ser utilizado na coluna. Uma espécie de prótese natural. Tecidos humanos transformados em mais de duzentos mil pedaços. Partes separadas que podem salvar vidas. Para quem depende da fila de transplantes para receber um órgão, a espera praticamente não tem fim.

Há dez dias Mattie passou por uma sessão de hemodiálise. Ela precisa com urgência de um transplante nos rins. Agora, é uma das primeiras na fila de espera. Uma espera que já dura três anos. Ronald Bustill é um dos melhores médicos de transplantes do mundo. Agora, ele se prepara para transplantar um fígado em um homem de 70 anos. O órgão do doador chegou ao centro médico há algumas horas. O fígado é compatível ao tamanho do paciente e seu tipo sanguíneo. A cirurgia deve levar de 4 a 5 horas.  

Antes do homem receber o novo órgão será preciso fazer reparos na artéria. A cirurgia começa. O médico mostra onde o tumor está localizado. Os pacientes são escolhidos dependendo das chances de sobrevivência. A cirurgia em jovens é prioridade. Por isso, muitos recorrerem ao mercado negro do tráfico de órgãos.  

É no meio virtual, que doentes desesperados por um órgão encontram a esperança de cura. Anúncios para todos os tipos de órgãos, de maneira fácil, sem perda de tempo. Agências de viagens planejam todos os detalhes, desde as passagens aéreas até os hospitais.

Estamos em Chennai, ao sul da índia. O país considerado a nova força da economia mundial esconde um outro lado. Fome, miséria, pobreza. Uma realidade comum a todos. Neste campo de refugiados, muitos colocam seus órgãos à venda. Homens e mulheres. Cicatrizes que teimam em permanecer. Mas, como os rins de uma mulher pobre são vendidos a estrangeiros, pessoas praticamente desconhecidas?

 Esta mulher aceita contar sua história. Seu nome é Malaka. Ela prefere falar longe dos olhos de sua comunidade. A venda de órgãos é ilegal na índia e o mercado negro aproveita uma brecha na lei. O esquema criminoso envolve agenciadores, oficiais do governo e médicos. Uma rede que se aproveita de pessoas carentes como Malaka. Com muitas dívidas e passando necessidades, Malaka entra em contato com um homem.

O nome dele: Raji. Ele oferece três mil e quinhentos dólares para que ela venda um rim. Atraída pelo dinheiro rápido, Malaka aceita o trato. Ela passa por alguns exames e é operada.

Vinte e quatro horas depois, o rim de Malaka é transplantado em um jovem estrangeiro. Os pais pagam quarenta mil dólares pelo órgão da jovem. A quantia é entregue a Raji, o agenciador. Após a cirurgia, Malaka recebe apenas setecentos dólares, menos da metade do que foi prometido. Raji, o agenciador, fica com dez mil. O restante é dividido entre o médico e o hospital. Malaka revela que chegou a cobrar sua parte real no negócio. Ameaçada pelos criminosos, ela desiste.

Conseguimos pistas de Raji. Atualmente, ele trabalha com a mulher em uma loja para artigos de pesca. A equipe de reportagem é recebida com grosseria e xingamentos, sem sucesso. Dias depois, raji aceita falar. Ele nega participar do crime de tráfico de órgãos e diz que não conhece Malaka. Logo, a história muda de tom e raji confessa ter conhecimento da história. Ele admite ter parte no negócio. Raji revela que sua função é encontrar pessoas dispostas a vender seus órgãos. Perguntamos sobre a parte de Malaka no acordo. Raji afirma que pagou o valor acertado. Quarenta mil rúpias, o equivalente a setecentos dólares. Raji tenta desviar e prefere terminar a entrevista.

Voltamos à casa de Malaka. Algumas semanas após a nossa conversa, encontramos o filho dela doente. Jáundice está com as pernas inchadas. Seus rins não funcionam perfeitamente. A mãe poderia ser a doadora. Agora, apenas com um rim, ela nada pode fazer. A história de Malaka não é única. No mundo afora, personagens como ela se repetem. Somente na índia, dois mil rins são transplantados todos os anos de maneira criminosa.

Mattie, a personagem que acompanhamos no início desta reportagem, faz hemodiálise há doze anos. Ela está na lista nacional de transplantes há três anos. Mattie não esconde a ansiedade. Um telefonema muda sua vida. Difícil conter a emoção. A enfermeira ajeita os últimos detalhes antes da cirurgia. Para ela, é difícil acreditar em tudo que está acontecendo. Agora, um futuro se abre para ela. A cirurgia é delicada. O homem que acaba de ter a morte cerebral confirmada, terá seus órgãos retirados. A temperatura do corpo é diminuída.  Um a um os órgãos são removidos e limpos. É da escolha de um homem que vem a salvação para outras pessoas. Os novos rins de Mattie estão prontos para recebê-la. Um mês após a cirurgia Mattie se sente bem. Os novos rins funcionam perfeitamente e não vai precisar fazer hemodiálise.

Na Europa, trinta por cento dos pacientes que aguardam um novo órgão, morrem na fila do transplante. Acredita-se que um quarto da população mundial se diz doadora de órgãos. No entanto, apenas uma pequena porcentagem das mortes possibilita a retirada dos órgãos. O número de transplantes ainda é pequeno, perto da realidade  dos que precisam deles. Enquanto essa demanda existir, o mercado negro do tráfico de órgãos continua a imperar.

Os Bastidores dos Milagres - Parte I



+ Se preferir, assista na íntegra em vídeo

Eles arrastam multidões de branco. Homens e mulheres. Pessoas unidas pelo desespero, pela doença, pelas dificuldades, que já tentaram de tudo e apelam para a fé. Num país que convive com suas adversidades na saúde, na educação e em tantos outros setores, a religião supre uma necessidade quase inexplicável. Acompanhamos personagens polêmicos. Homens e até crianças que dizem ter o dom da cura. O milagre cara a cara com a ciência.

Uma legião de branco invade uma cidade no coração do Brasil. Afinal são doenças do corpo ou da mente? E você, entregaria a sua vida na mão de um milagreiro? E a pergunta que intriga: quem são eles? Seguimos os passos de homens voltados à cura, aos milagres. Condição conquistada, segundo eles, depois de anos de trabalho. O que mais eles tem em comum? Atendem centenas de pessoas que desesperadas vão em busca de amenizar a dor, a doença, a falta de resposta da medicina. Mas, será que os poderes são reais? Ou tudo não passa de teatro?

Professor Hirota, como é conhecido pelos seus adeptos, não faz intervenções invasivas. Com sotaque forte ele começa a atender logo cedo. Os atendimentos se misturam com curas espirituais. Pessoas vão tendo outras reações. Muitas mulheres passam mal durante a palestra. É preciso que pelo menos sete homens segurem uma mulher para ela não se machucar. Possuídas, o professor é chamado. Começa uma negociação com o suposto obsessor.  Quando a situação parece controlada, outra mulher parece ficar possuída. Mais homens usam a força. Ela resiste o tempo todo e xingam a platéia. O professor ri da situação. As crianças presentes na sala choram e todos que acompanham o ritual ficam em um silêncio pleno.

Nossa equipe acha algo suspeito. E não somos os únicos. Frequentadores também estranham o que assistem no templo em Atibaia. Josué, um dos voluntários do Professor Hirota, nos dá uma explicação. Para ele nada que estava acontecendo era incomum. Para algumas pessoas a cura do professor é incontestável. Para outras a única opção que resta. O misticismo e a ciência sempre vão andar em linhas diferentes. Reginaldo Pereira de Paiva é a prova de que a fé cega pode induzir ao erro. Desacreditado nos médicos ele procurou pelo milagreiro. Reginaldo seguiu os conselhos do professor Hirota. Diabético, ele deixou de tomar insulina. Reginaldo ouviu o curandeiro. E viu a morte passar perto.

João de Deus atende o mundo todo. Sua estrutura é frequentada por famosos e politicos internacionais. A estrutura  para atender os pacientes, muitos estrangeiros, impressiona. Os atendimentos as vezes passam de 2 mil em um único dia. Faz intervenções que para muitos, podem beirar o absurdo. Sem anestesias, sem higiene nenhuma, ele raspa o olho de um paciente. Algumas intervenções podem beirar ao absurdo. O rapaz é um Francês e parece anestesiado. Não fala nada, nem faz menção que esteja sentindo dor. Depois da operação, o rapaz é retirado da sala. Durante uma operação, um inseto pousa na mão do milagreiro. No final da cirurgia, João de Deus costura alguns de seus pacientes. Ele não gosta de falar em nome e acha que tudo é obra de seu sobrenome: Deus. O milagreiro teve uma infância pobre. E atribui a missão a uma força maior. Era ainda uma criança quando descobriu que tinha um dom. Religião? Nenhuma especifica.

Os atendimentos não param. Depois de visitarmos os dois ´milagreiros´- Hirota e João de Deus, nossa investigação confronta o que dizem os milagreiros e os que garantem terem sido curados com o que diz a medicina tradicional. Os resultados são surpreendentes. Na Grécia encontramos um pai que teve a filha, com uma grave deficiência fisica, atendida por João de Deus e o programa mostra o que mudou desde então. Também ouvimos um médico que se surpreende com o "antes e depois" de uma paciente com tumor, desenganada pelos